Presenteísmo Custa Caro e É Invisível

Você sabe quanto o presenteísmo custa na sua empresa? Ou só sabe quanto custa o absenteísmo, porque é o único dos dois que aparece no relatório de ponto?

Nos Estados Unidos, o presenteísmo custa cerca de US$ 150 bilhões por ano, segundo o CDC. No Brasil, a conta ultrapassa R$ 200 bilhões, de acordo com o IBEF-SP. A diferença entre os dois países? Lá, pelo menos, alguém está medindo.

Mas afinal, o que é presenteísmo?

O que é presenteísmo e por que ele preocupa as empresas?

O presenteísmo ocorre quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas sua capacidade de desempenho está comprometida por questões de saúde física ou emocional.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, realizado com quase 400 trabalhadores da indústria, mostrou que 50,9% dos profissionais que trabalham doentes apresentam queda mensurável de desempenho. Em setores de alta demanda cognitiva ou emocional, esse custo pode ser até três vezes maior que o do absenteísmo.

Ainda assim, o tema recebe pouca atenção nas organizações.

O problema não é a ausência. É a produtividade comprometida.

Eu sei o que você deve estar pensando:

“Mas se a pessoa está lá, trabalhando, qual é o problema?”

É exatamente essa pergunta que sustenta o problema.

“O presenteísmo é um fenômeno menos visível, mas muito mais persistente do que o absenteísmo. E o mais grave: é normalizado dentro das empresas”, afirma o psiquiatra Guido Boabaid May, fundador da GnTech, em entrevista à CartaCapital. Para ele, a empresa percebe quando alguém falta, mas raramente nota quando alguém está presente e improdutivo.

O desafio é que a perda de desempenho acontece de forma gradual e silenciosa.

Como identificar sinais de presenteísmo no ambiente de trabalho

Na maioria das vezes, o problema de saúde ainda nem chegou a um diagnóstico formal.

Ansiedade, insônia, dores crônicas e outros sintomas podem acompanhar o colaborador por meses — às vezes anos — antes de qualquer afastamento. Durante esse período, ele continua trabalhando da forma que consegue.

O impacto aparece em diferentes áreas da organização:

  • Aumento de erros operacionais;
  • Retrabalho frequente;
  • Tomada de decisão mais lenta;
  • Queda da produtividade;
  • Redução da qualidade das entregas;
  • Piora do clima organizacional.

Nenhum desses fatores costuma gerar indicadores tão evidentes quanto o absenteísmo, mas todos contribuem para a deterioração dos resultados ao longo do tempo.

Presenteísmo e NR-1: um tema que precisa entrar no radar das lideranças

Desde maio de 2025, a NR-1 passou a exigir que as empresas mapeiem riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho.

O presenteísmo se enquadra diretamente nesse contexto. Afinal, ele pode estar relacionado a fatores como sobrecarga, estresse, ansiedade, pressão excessiva e condições inadequadas de trabalho.

O problema é que, diferentemente de outros indicadores, o presenteísmo não chama atenção por conta própria.

Ele simplesmente se instala.

Sua empresa mede presença ou desempenho?

Fica a reflexão:

Seus indicadores de produtividade ainda medem apenas frequência ou já conseguem identificar a queda silenciosa de rendimento de profissionais que nunca faltaram?

Se a resposta for a primeira opção, talvez seja hora de incluir a cultura do “sempre presente” na pauta das próximas discussões sobre liderança, saúde ocupacional e gestão de pessoas.

Porque nem todo problema de produtividade está relacionado à ausência.

Às vezes, o maior custo está justamente em quem continua presente.

Por Érika Almeida

Sobre quem escreveu o artigo

Érika Almeida é Psicóloga clínica e consultora de RH na Psibilidades In Company, atuando com implementação estratégica da NR‑1, mapeamento de cultura organizacional e palestras institucionais. Escreve sobre cultura, riscos psicossociais e responsabilidade corporativa.

Este artigo integra a Linha Editorial Metainfo — RH em Dia, uma iniciativa dedicada a produzir conteúdos estratégicos para profissionais de Recursos Humanos. A linha é desenvolvida em parceria com especialistas que contribuem com visão técnica, experiência prática e perspectivas que fortalecem a atuação do RH nas organizações.


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