O coração não começa a adoecer no dia do diagnóstico

Quando um diagnóstico cardiovascular chega é comum que ele seja percebido como o início de um problema.

Mas, muitas vezes, ele representa apenas o momento em que uma condição que já vinha se desenvolvendo foi identificada.

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 19,8 milhões de pessoas morreram por essas doenças em 2022, o equivalente a aproximadamente 32% das mortes globais. No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam para cerca de 400 mil mortes por problemas cardiovasculares em 2022.

Esses números mostram a dimensão do problema, mas também reforçam uma mensagem importante: o risco cardiovascular costuma ser construído ao longo do tempo.

O risco pode existir antes dos sintomas

Pressão alta, alterações no colesterol e na glicemia, excesso de peso, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada estão entre os fatores associados ao aumento do risco cardiovascular.

E muitos deles podem evoluir sem sinais claros.

A hipertensão é um exemplo conhecido. Muitas pessoas convivem com pressão arterial elevada sem perceber qualquer alteração importante no dia a dia. Por isso, sentir-se bem não significa necessariamente estar livre de riscos.

É justamente aí que a prevenção ganha relevância.

Acompanhar a pressão arterial, realizar exames periódicos, conhecer níveis de colesterol e glicemia e conversar com profissionais de saúde sobre histórico familiar e hábitos são formas de identificar fatores de risco antes que eles avancem.

Prevenção começa antes

Infarto e AVC podem acontecer de forma súbita, mas os fatores que contribuem para esses eventos frequentemente estão presentes muito antes.

Por isso, prevenir não significa viver preocupado com uma possível doença. Significa conhecer melhor a própria saúde e agir quando ainda existem oportunidades de cuidado.

A OMS destaca que mudanças como abandonar o tabagismo, manter atividade física regular, melhorar a alimentação e controlar pressão arterial, glicemia e colesterol podem contribuir para a redução do risco cardiovascular.

Nem todos os fatores estão sob nosso controle. Idade e histórico familiar, por exemplo, também fazem parte dessa equação. Ainda assim, muitos riscos podem ser acompanhados, tratados ou modificados.

Setembro Vermelho: não espere o diagnóstico

O Setembro Vermelho é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre a saúde do coração.

Mas talvez a principal mensagem seja simples:

  • Não espere um sintoma.
  • Não espere um susto.
  • Não espere um diagnóstico para começar a prestar atenção na sua saúde cardiovascular.

Porque o coração não começa a adoecer no dia do diagnóstico.

E o cuidado também não precisa começar nele.

Fontes:
Organização Mundial da Saúde (OMS). Cardiovascular diseases (CVDs).
Ministério da Saúde — Biblioteca Virtual em Saúde. Dados nacionais sobre doenças cardiovasculares e hipertensão arterial.


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